segunda-feira, 14 de março de 2011

A piece.

Dou um pouco de mim e roubo um pouco de ti
Até que um dia estarás cheio e me transbordarás pela boca,
Até que um dia estarei cheia e guardarei a essência de teu ser em mim.



terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fragmento

"Então, de mim, as palavras fluem sem nenhuma dificuldade ou bloqueio. Apenas fluem.
Minha maior inspiração, bem querer vem de ti."
Assim dizia o último verso da única carta que me entregaras, que
parecia bem menor e menos importante diante de tantas outras.

Dentre incontáveis poemas, bilhetes de cinema, selos e
até um velho cordão de prata, te escondi.
Te escondi assim, em meio a eles.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Amor e a Razão

Errei. Me deixei levar pelo momento.
- E as consequências?
- Pensei que d'ali não houvesse mais nenhum argumento.
- Esqueceu que as pessoas vivem de aparências?

Acordei querendo mudar tudo e todos.
Esqueci de mim.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Aurora

"O tempo é fluido", disse ele enquanto sorria e me beijava a testa.
Seguidas vezes repetiu tal frase, que aos poucos penetrara em minha mente.
E assim, como no início de um conto de Neil Gaiman, me interessei.

Os olhares eram poucos, singelos.
Mas, para mim, tudo era muito e nada discreto.
Palavras nunca ditas, nunca sentidas tornaram-se singulares.
As emoções, enfim, faziam pares.

Dias se passaram e ele se contradisse. A definição de "tempo" naquele momento era apenas a distância entre a causa e o efeito que ficara consigo.
Percebi quando era tarde demais. E foi no exato instante:
"Você gosta de margaridas?", questionou. - Respondi que sim, mas preferia violetas. Ele sabia. - "Comprarei. Mas será surpresa."

No entanto, menti. Não importava se era margarida, violeta ou alguma outra pétala colorida.
Todas seriam especiais e únicas desde que, mesmo sem ocasião, fossem dele para mim.



quinta-feira, 3 de junho de 2010

...a Mulher que era menina

Um dia, uma hora e ínfimos segundos contados no relógio.
O 'tic tac' pausa por alguns instantes e a razão invade seu domínio.
"Serás tu?", indaga fortemente.

Ela, então, dá início a um drama.
Os argumentos que antes eram convincentes hoje não são mais justificáveis.
As cartas, as promessas e os sinais eram ludibriosos. Suspeitou.

Por dentro tudo transbordara. Amor, paixão, esperança e devoção.
E quase como em um sonho tudo se acabara, aparentemente, sem nenhuma explicação.

Todos os seus planos foram desfeitos, sua alegria diminuída...
Até mesmo aquela aparência tão doce e calma que lhe fora atribuída.

...E no momento preciso, ela, que tanto o esperava, cedeu.
Ele, que aguardara o último reencontro, angustiou-se. Ela não apareceu.
Não sabia porquê. Não sabia quando a veria novamente.

Seu coração dilacerou-se em mil pedaços, acabado.
Mas o anel que levara consigo permanecera intacto, com a data de dezembro de 1945, o nome dela e uma mensagem: "Forever".

domingo, 30 de maio de 2010

de Olhos Fechados

"Tudo o que vem de ti me excita.
Tudo o que possa existir em teu ser me inspira.", entoou.

E nada mais foi acrescentado.
Mas aquelas palavras foram de encontro aos seus ouvidos, e deles, não se ouviu mais algum outro som.
E ecoou por toda a sua mente, espalhou-se pelo corpo. Tomando conta de seus devaneios, preencheu o vazio de qualquer ócio eminente.

Assim, olhares quase nunca trocados e bocas quase nunca tocadas saciaram-se. Novamente.

sábado, 29 de maio de 2010

Era uma vez...

E cada parte de seu frágil corpo estava se fazendo novamente. Cada detalhe estava sendo preenchido com uma nova cor.

E ele disparara freneticamente diante de toda a esperança. Embaraços e desembaraços ocorriam frequentemente. Mesmo os conhecidos não podiam ser evitados.

Sempre falara de si como se estivesse dentro de algum poema raro, intocado. E por mais que tivesse sido comum em outrora, todo toque era novo e inesperado.

E ele dava sinal de vida, finalmente.
Fazia barulhos e batia estranhamente.

E, de uma vez por todas, anunciou: Cuide você melhor de mim. Pois sem você não sou nada, e como um nada que sou, o que resta senão o fim?

Regência

Você estava certo. Minha autossuficiência não foi embora. Ela nunca irá. Ela sou eu e eu sou ela; é como sei ser e não me privo ou me aban...